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                                                                                                                             *Autor: GAU, H.*

Introdução


  Desde a antiguidade a humanidade busca compreender como o mundo espiritual se manifesta no mundo tangível. A mente humana, limitada pelos elementos do espaço e do tempo, encontra dificuldades em compreender de forma plena, conceitos espirituais como a eternidade, a onipresença de Deus, a ação dos anjos e a realidade do por trás disto. Compreender ideias abstratas muitas vezes exige novas perspectivas, especialmente quando esses conceitos desafiam nossa intuição cotidiana. Neste artigo, exploramos interpretações metafóricas e analogias com inspiração científica, dialogando com obras como *Planolândia,* de Edwin Abbott, e com a explicação da quarta dimensão apresentada por Carl Sagan na série Cosmos, além de outros temas que conectam imaginação e ciência, com o objetivo de tornar essas ideias mais acessíveis e significativas ao leitor.

  É importante salientar, desde o início, que esta não é uma abordagem cabível em todos os textos e contextos, mas um modelo que busca oferecer uma linguagem alternativa para refletir sobre a transcendência divina em determinadas passagens. Seu propósito não é substituir nenhuma crença ou fé, mas fornecer uma ponte conceitual entre o raciocínio humano e a revelação bíblica, permitindo visualizá-las de modo intuitivo.

  Este artigo foi elaborado tendo em vista o leitor acadêmico, especialmente das áreas de exatas. Pois, com frequência, observei a dificuldade de colegas em compreender conceitos como “Deus” e “Criação”, uma vez que o discurso eclesiástico recorre, muitas vezes, a termos como “incompreensível” ou “inigualável”, os quais, para quem não compartilha da fé cristã, podem soar vagos ou até tolos.

 Assim o presente artigo propõe uma interpretação que não pretende ser uma verdade absoluta, mas, uma linguagem capaz de estabelecer uma ponte entre a linguagem cristã e a linguagem academica.

   Portanto o objetivo final é ampliar a imaginação e compreensão, sem ultrapassar os limites da fé cristã, preservando a centralidade da Escritura e evitando qualquer interpretação erronia.

“ Possivelmente, assim como em Planolândia e até mesmo na caverna de Platão, ainda vejamos apenas sombras e projeções da realidade eterna, mas já, suficiente para crer e esperar pelo pleno encontro com Deus ”.

Planolândia


  Uma das referências do autor que é de suma importância é o livro ***Planolândia,*** mescla de ficção, matemática e filosofia utiliza-se de seres bidimensionais para discutir a limitação humana. 

  Na narrativa do autor, os habitantes vivem em um mundo restrito a duas dimensões (altura e largura). Eles não conseguem conceber a ideia de uma terceira dimensão, já que toda sua experiência está limitada ao “chão” em que vivem. Um quadrado, protagonista da obra, tem sua percepção desafiada quando entra em contato com uma esfera. Para os habitantes de Planolândia, a esfera não pode ser vista como realmente é. Quando atravessa o plano, ela só pode ser percebida em cortes sucessivos, primeiro como um ponto, depois como círculos de tamanhos diferentes, até desaparecer novamente. Esta experiência provoca espanto e desconforto, pois aquilo que está além da dimensão conhecida não pode ser compreendido em sua plenitude.

“ Abbott, de maneira crítica e criativa, usou essa história para provocar reflexões sobre ciência, filosofia, religião e a própria limitação da mente humana. “

Planolândia na manifestação do transcendente